sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Ampliação do porto de São Sebastião ameaça todo o litoral norte de São Paulo

Companhia apresenta ao governo de São Paulo projeto de ampliação do porto com severas conseqüências.


                      


Companhia Docas de São Sebastião apresentou ao governo do Estado de São Paulo um projeto de criação de porto na região que pode vir a resultar em diversos impactos ambientais negativos. 
 
O Estudo de Impacto Ambiental  (EIA RIMA) informa que haverão  aproximadamente 750 caminhões em rotação por hora – este número de automóveis aumentará excessivamente a poluição na região, além de interferir no trânsito que já comumente se agrava aos finais de semana e temporadas.
 
Apesar de mencionarem que se trata de um porto ecológico, ele não possuirá escoamento de cargas e de containers por ferrovia, ou seja, toda a logística será realizada com caminhões, ideia que vai contra qualquer principio de sustentabilidade.
 
A realização do projeto terá como conseqüências também a favelização e o aumento de invasões em áreas e Unidades de Conservação (PESM) e em áreas de encostas, permitindo que acidentes ocorram como o na região serrana do Rio de Janeiro no início do ano (alta temporada de chuvas), no qual foram registradas mais de 700 mortes e desaparecimentos. Esta ocupação desordenada pode desencadear também o aumento da criminalidade e da prostituição na região – impactos comuns em cidades portuárias.

Os impactos indiretos referentes aos desmatamentos causados serão causados por vias de contornos, ampliação de estradas e rodovias, pátios de containers, toda a indústria de logística, entre outros,  pressionando o que ainda resta de Mata Atlântica no Estado de São Paulo.
 
A ausência de estudo sobre os impactos na Estação Ecológica de Tupinambás, onde situa se a ilha de Alcatrazes e outras ilhas, na vida marinha de toda a região que foram avaliados apenas no entorno do porto, e na área de influencia indicada pelo EIA RIMA acaba por omitir a real gravidade da situação. 
 
Espécies ameaçadas e protegidas como a Baleia franca, que estão voltando a visitar nossas praias para procriar, poderão ir embora de vez.
 
Ainda sobre a área de influência indireta, os impactos na região da Costa Sul e Costa Norte do Município de São Sebastião, Ilhabela, Caraguatatuba e Ubatuba, não foram contemplados, pois segundo o estudo estão muito longe da área do porto. No entanto, a possível ocorrência de acidentes e vazamentos pode resultar em desastres ambientais através das correntes marítimas, como já relatado pela CETESB em outros casos. 

Vale ressaltar os impactos ao meio terrestre que estes locais também sofrerão. Contaminação através de espécies exóticas, não apenas na água de lastro, comprometendo a biodiversidade de toda região
 
 
Os surfistas poderão sofrer, além da poluição visual causada pela grande quantidade de navios estacionados e se movimentando, pixe nas areias, lixo despejado, e, como exemplo, a mudança de comportamento que recentemente ocorreu com a construção do porto de Suape, resultando em dezenas de mortos por ataques de tubarão em Recife. 

Essa possibilidade sequer foi mencionada ou avaliada pelo EIA RIMA, assim como não foi avaliada também quando o porto de Suape foi construído.
 
Em suplico por conscientização da população da região e também dos amantes de praia, André Motta Waetge da organização Nossa Ilha Mais Bela, escreve:

“Temos centenas de questionamentos e pontos negativos sobre a implantação desse porto, sabemos também que é impossível impedir o crescimento econômico. Mas a que preço? Precisamos disso aqui no Litoral Norte? São cidades que vivem praticamente em função do turismo.
 
Os princípios da sustentabilidade deveriam ser aplicados de verdade. Portos verde e porto ecológico só realmente são verdes ou ecológicos se forem sem containers. Caso contrário, ocorrerá um desastre irreversível
 
Atualmente vemos muitos navios estacionados no canal sem lugar para atracar - quem freqüenta as praias de Maresias e região pode comprovar isso. Essa é uma prova que o porto precisa ser ampliado sem a necessidade de receber navios com containers.
 

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